Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Sexta, 26 Julho 2019 12:37
DIVERSIDADE

1º Encontro e Celebração do Orgulho Genderqueer e Não-Binário ocorre em Alagoas

Evento reuniu a comunidade LGBT alagoana para ampliar o debate sobre a temática e buscar visibilidade pra o movimento

1º Encontro e Celebração do Orgulho Genderqueer e Não-Binário ocorre em Alagoas Joanna de Ângelis
Texto de Joanna de Ângelis

Em alusão ao Dia do Orgulho Não-Binário, celebrado em 14 de julho, o Coletivo Pró LGBT o “Quê do Movimento – Visibilidade TQIAPNB+ em parceria com a Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos – Semudh, promoveu o 1ºEncontro e Celebração do Orgulho Genderqueer e Não-Binário de Alagoas.


O evento aconteceu no auditório da 
Semudh e reuniu lideranças da comunidade LGBTQ+ estaduais para prestigiar o momento e celebrar as conquistas conjuntas do movimento. Lírio Barbosa, artista, ativista queer e idealizador do encontro, pontuou o intuito da ação como ferramenta estratégica de disseminação da temática. “O objetivo do encontro foi trabalhar a diversidade da comunidade LGBTQI+. Hoje estamos ampliando o espaço de diálogo sobre queers, não-binários, pansexuais e outras identidades que não são inseridas nas pautas do próprio movimento. Alagoas ainda não compreende ou acolhe as identidades que não se enquadram na sigla LGBT, afirma.


Lírio também enfatizou a importância da data escolhida para realização do encontro. “Estamos completando 50 anos da Revolta de 
Stonewall em 2019, a data de hoje, dia da mulher negra, latino americana e caribenha e de Teresa de Benguela, também enaltece a luta da representante Marsha Johnson e de todas as travestis, negras, periféricas que ainda são marginalizadas pela sociedade. Agradeço todo o apoio de coletivos de Alagoas e de fora do Estado, de artistas e lideranças da comunidade, e principalmente pelo espaço que a Semudh dá ao movimento, à visibilidade que nos proporciona e o apoio constante em toda nossa jornada”, completou.  


A secretária 
da Semudh, Maria Silva ressaltou o encontro como o primeiro passo para garantir cada vez mais voz para essa parcela da população. “União é a palavra chave. Precisamos de equidade e essa luta não se ganha sozinha. E nós da Semudh estamos juntos em todos os momentos fortalecendo, apoiando e buscando cada vez mais conquistas”, afirmou.


Atividades


A programação contou com a mostra de Artes “Desconstruindo Estereótipos de Gêneros” de Lírio Negro, a Intervenção poética de 
Geo Santos, e a exibição do curta “Estamos Todos Aqui”, dirigido por Chico Santos e Rafael Mellim, no Cinema Queer, além de um bate-papo sobre gêneros e uso de pronomes, mediado pela assessora técnica de Políticas para LGBTs da Superintendência de Políticas para os Direitos Humanos e a Igualdade Racial da Semudh, Jade Soares.


“Durante muitos anos o movimento LGBT pleiteou o protagonismo dentro da Secretaria de Direitos Humanos, onde um cargo voltado para a comunidade, criado há 16 anos, nunca tinha sido ocupado por um representante da categoria. O olhar acolhedor da secretária Maria Silva ao inserir uma mulher negra, 
trans e quilombola para esse cargo abriu ainda mais as portas para todas as siglas, com paridade e respeito de acordo com a identificação social de cada um”, destacou Jade. 


O encerramento aconteceu 
com uma conversa com o diretor e roteirista Leonardo Amaral e LeticiaRavache, travesti remanescente da desocupação da Vila dos PescadoresO evento reúne um grupo de pessoas que é invisibilizado dentro da própria comunidade. Existe um padrão na cabeça das pessoas do que é uma pessoa gay, do que é uma pessoa LGBT. A expectativa é que encontros como esse ajudem a quebrar esse padrão e mostrar toda a diversidade que é o que faz o movimento LGBT+ ser o que é, ressaltou Leonardo. 


Visibilidade e União

Ricardo Guede, ativista LGBT e relações internacionais do Grupo Gay de Maceió, prestigiou o encontro e destacou suas impressões e expectativas. “Primeiro, estou muito feliz de estar em Maceió, no Brasil, e ver como está crescendo o movimento no país. Com toda a experiência que trago da Argentina, da Europa e de tantos lugares que já morei, é muito importante que a comunidade permaneça unida. Se não nos unirmos estaremos discriminando dentro do próprio movimento. O que esperamos é o fim do preconceito e das separações, e que, de uma vez por todas, todas as siglas sejam aceitas e respeitadas dentro da sociedade”.  Ricardo foi o idealizador e diretor-geral do primeiro Iguazú Gay Festival, na Argentina, uma celebração cultural e turística que tem a proposta de representar a união e a igualdade pela diversidade LGBT.

Organização

O Coletivo nasceu em setembro de 2018 com o intuito de expandir diálogo sobre saúde mental da população LGBTQ+. Atualmente é formado por Lírio Barbosa, conhecido artisticamente como  Lírio Negro pessoa não-binária, Raí Lima pessoa intersexo e Letícia Ravache, mulher transgênera.