Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Quinta, 23 Maio 2019 14:45
POVO TRADICIONAL

Quilombolas recebem orientações sobre a Lei Maria da Penha

As atividades contaram com dezenas de moradoras da comunidade Filu, em Santana do Mundaú

Texto de Bruno Levy

Mulheres quilombolas da comunidade Filus, na zona rural do município de Santana do Mundaú, receberam a visita da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh) e de estudantes da Uncisal – Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, para participar de roda de conversa sobre a Lei Maria da Penha.

A Semudh, em parceria com a Uncisal em e o Iteral, participou ontem, 22, de ações de prevenção à saúde e de enfrentamento à violência doméstica, as quais fazem parte do Programa Cidadania e Equidade em Saúde (Ceus), coordenado pela professora Sandra Bonfim e pelo professor Aldemar Araújo, ambos da Uncisal.

Durante a roda de conversa, a educadora social da Semudh, Anne Kelly, e estudantes de medicina da Uncisal, chamaram a atenção quanto à naturalização da violência contra a mulher no ambiente doméstico.

"Por se  tratar de  uma comunidade afastada do centro urbano, com dificuldades de acesso à informação e serviços públicos, é muito importante que elas saibam o quão é inaceitável a violência doméstica. Trabalhamos no empoderamento delas e na forma de pensar, a fim de quebrar esse ciclo de violência que vem de muito tempo. O resultado é sempre bastante positivo", disse Anne.

Conversar  é importante

Sônia da Silva, dona de casa de 31 anos, concorda com a educadora e diz que dentro de casa o limite não extrapola. "O casal deve compartilhar e dividir as tarefas de casa. Ninguém manda na vida de ninguém. Somente conversando que se resolve e não com violência", explicou.

No encontro também ocorreram dinâmicas com a participação das ouvintes, a distribuição de materiais didáticos sobre a Lei Maria da Penha e a divulgação da rede de atendimento à mulher vítima de violência doméstica.

Ana Simões ao centro

CEUS

A proposta do Ceus é que os estudantes da área de medicina possam ir a campo em comunidades tradicionais instaladas em Alagoas para pesquisa e criação de planos para essas populações, além de ajudar no currículo e na formação social dos futuros médicos.

De acordo com o decreto federal 6.040 de 2007, povos tradicionais são aqueles que possuem modo de viver ligado ao meio ambiente em que vivem, e uma cultura específica, como os caboclos, caiçaras, extrativistas, indígenas, jangadeiros, pescadores, quilombolas, ribeirinhos, ciganos, e seringueiros.

“Por meio dessa extensão, podemos superar índices negativos a partir da formação na participação desses universitários, disponibilizar equipes de trabalho e fazer o diagnóstico situacional para desenvolver pesquisas e trabalhos para estes locais”, disse a professora Sandra Bonfim.